Este material foi elaborado com base no texto de Ingrid Dormien Koudela "Sobre a ida ao teatro"
“Bons espetáculos de teatro são universais”, esta frase que está na introdução do texto nos mostra que não há um espetáculo destinado exclusivamente a uma ou outra faixa etária, os espetáculos podem atingir tanto adultos, quanto crianças e jovens, desde que seja poético, entendendo poético não como a arte de fazer versos, poesia, mas algo que toca, sensibiliza, com uma estética própria.
No âmbito da instituição escolar, a ida ao teatro pode e deve ser tratada como uma oportunidade de ensino e aprendizagem, lembrando que no teatro todos os esforços se somam visando à platéia, que é seu membro mais importante, porque uma obra em qualquer linguagem, só se concretiza com o espectador.
A ida ao teatro propõe um rico momento de construção de conhecimento, uma experiência sensível que cabe ao professor mediar, garantindo não só o acesso físico dos alunos, mas também o acesso aos bens simbólicos, inserindo o espectador na história da cultura, através da apreciação e leitura do espetáculo e isso implica construção de conhecimento.
Além disso, a preparação para a ida ao teatro, com informações centradas na expectativa da criança, favorece deixá-la mais relaxada e atenta ao espetáculo, assim, rodas de conversa sobre o espetáculo, como é este teatro, onde fica, o dia, os horários diferentes do dia de aula normal, lanche diferenciado, o próprio trajeto, por vezes desconhecido pelas crianças possibilita uma rica oportunidade de conhecimento ao percorrer caminhos antes nunca percorridos, apreciando o trajeto, lojas, praças, construções com arquiteturas diversas...
Sem falar da movimentação alegre (já vivi isso no ano de 2008 quando levei um grupo de alunos da 4ª série PIC ao Municipal) que emerge no grupo quando começamos organizar a ida ao teatro, que propõe uma ampliação de possibilidades ímpares, nesta ocasião que citei anteriormente, houve duas crianças que choravam por algo que não sabiam precisar, nem o que sentiam, ao me sentar ao lado delas e conversar tranquilizando-as ao relembrar as falas sobre o percurso, o que veríamos a seguir, onde estávamos, o tempo que ainda demoraríamos a chegar se acalmaram. Quanto às demais a euforia era tanta, eu posso dizer que favorece um sentimento de pertencimento, de participação em uma situação única que jamais se repetirá, eu relaciono no texto quando a autora destaca “a especificidade da experiência estética da arte, que gera um tipo particular de narrativa sobre o mundo”, experiência singular. Durante o trajeto, emergem músicas no grupo que são contagiantes.
A ampla gama de possibilidades de trabalho que a ida ao teatro favorece deve ser levada em conta, pois o contato com os elementos próprios dessa linguagem como iluminação, cenografia, sonoplastia, a representação, o próprio texto, entre outros elementos contribui para a construção de conhecimento nesta linguagem, bem como de valores estéticos.
Ao mediar informações, preparar o aluno para a visita ao teatro e propor situações para que os alunos relatem (de diversas formas) a experiência que tiveram após a volta a escola, favorece que o aluno se ocupe intensamente da relação com o evento que participou, assim como nós durante as experiências que vivemos nas oficinas com os jogos teatrais.
Durante as oficinas ficamos tão intensamente envolvidas, combinando ações (o que), personagens (quem seríamos ou representaríamos), onde se desenvolveria a cena, os gestos que faríamos, as representações das ações ao agirmos como se fôssemos alguém, ou estivéssemos em um determinado lugar, e, as leituras, as interpretações que faríamos do outro grupo, favoreceram o estabelecimento de parcerias marcantes, puderam nos aproximar uns dos outros (éramos um grupo grande e novo, não conhecíamos ninguém, nos sentíamos meio que perdidos) trouxeram a tona sentimentos e sensações adormecidas, essa sensação de fazer parte de um todo, de pertencimento, pudemos lembrar-nos de brincadeiras que pensávamos fazer parte de uma infância longínqua, um universo distante, parecia até (de tão distante) que pertencia a outra pessoa e não a nós, mas que estavam tão próximas. Era só a professora propor que todos imediatamente nos lembrávamos das regras (e a seguíamos), todos participamos ativamente, a diversão que sentimos aprendendo sobre o teatro e o prazer que vivenciamos ao brincarmos juntos, coletivamente, foi única, viver papéis, de fazer de conta que éramos “Três mocinhos que viemos da Europa“, embora podendo experimentar frustrações que são inerentes a competição, ao ganhar ou perder, o importante era a ação, sem contar nas cantigas de roda, que favoreceram as relações.
Tivemos a possibilidade de reviver e produzir cultura, fomos ao mesmo tempo atuantes e platéia, agimos no meio em que estávamos, atribuímos significados importantes às experiências que vivemos nesta linguagem.
Assim como na volta do teatro a escola, socializar as experiências a partir do que cada um viu e o que significou para cada um a experiência, como elaborou simbolicamente a partir do que a cena lhe disse, nós também socializamos por meio dos protocolos as experiências que vivemos nas oficinas, e tivemos experiências estéticas maravilhosas, como nas releituras das obras de Peter Brueghel, cada um de nós levará para sempre em suas memórias estas experiências que vivemos corporalmente.
nome do autor desse espetáculo?
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