segunda-feira, 13 de setembro de 2010

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Linguagens de artes - Brecht

Após ler os textos indicados pela professora Ingrid Dormien Koudela, escolhi o dossiê “jogos teatrais no Brasil: 30 anos”, por ser um texto bem interessante e de informações concretas relacionadas à pesquisa dos jogos teatrais. Além do mais, tive a oportunidade de vivenciar os jogos nas aulas apresentadas pela professora, o que favoreceu no enriquecimento da minha aprendizagem e também por  ter  relação com o meu trabalho.

Como trabalho com educação infantil, me vejo envolvida em situações de improviso com as crianças ora nas brincadeiras do faz de conta, ora em situações planejadas mas que acabam tomando forma em outro contexto que não estava planejado, mas a experiência se torna tão rica e emocionante que deixo acontecer.

Foi assim que aconteceu no jogo do improviso entre crianças de 4 anos; um menino era o líder do grupo, o “jogador”. Ele iniciava a fala e os outros o seguiam.

Jogador: Vamos embora, o lobo está vindo! Ele vai nos comer.
Seguidores: Vamos sim, para onde?
Jogador: Para casa, lá ele não entra.
Seguidores: Vamos então.
Jogador: Precisamos pegar as nossas coisas, as roupas e as crianças.
Seguidores: É mesmo, temos muitas coisas...
Jogador: Depressa pessoal, precisamos correr, ele está chegando!
Seguidores: Vamos, vamos todos!
Jogador: Vamos ficar bem quietos, senão ele pode ouvir.
Seguidores: E se ele nos achar?
Jogador: A gente foge outra vez.
Seguidores: Então vamos ficar bem quietinhos.
Jogador: Estou escutando ele chegar, vamos correr outra vez.
Seguidores: Sim, vamos correr!

Enquanto eles corriam de um lado para outro eu, como expectadora, sentia um envolvimento entre as partes atuantes como se eles estivessem num palco representando. Quando o jogador disse “Vamos pegar nossas coisas, roupas, nossas crianças!”, eles agarraram tudo pela frente; lençóis que eles improvisaram como suas camas, caixas que eram suas casas e os filhos que eram as bonecas que cada um levava embaixo do braço.

Durante os estudos, entrei em contato com idéias de vários autores, entre eles Viola Spolin, que disse que “todos são capazes de atuar.” Segundo o artigo “Apresentação do Dossiê Jogos Teatrais no Brasil: 30 anos”, “o sistema de Viola Spolin é aberto e permite a integração do jogo, a linguagem como construtivo do desenvolvimento intelectual e afetivo.”

Bertold Brecht, grande ator e teórico do teatro contemporâneo e fonte de pesquisa para qualquer trabalho relacionado a esse assunto, descreveu esse fenômeno em suas teorias de jogos teatrais. Sua teoria diz que não existe separação entre ator e expectador (ator e platéia). Todas as partes são atuantes, como comprovado no trabalho com as crianças.

Através do jogo simbólico as crianças acabam transportando a realidade para o lúdico e construindo uma simbologia característica para a idade. A intenção focada é o prazer pela brincadeira, o jogo da experimentação e a espontaneidade, como no artigo Dossiê: “longe de estar submetido a teorias, técnicas ou leis, o jogador se torna artesão de sua própria educação.”

O jogo teatral se desenvolve imperceptivelmente a partir do jogo simbólico coletivo. No jogo teatral continua a existir a satisfação das necessidades próprias (subjetivas), mas a criança procura adaptar aquilo que pensa e sente à realidade objetiva.

A partir das aulas práticas apresentadas pela professora Ingrid procurei  modificar  minha prática de trabalho e transformar a brincadeira em algo muito mais significativo e construtivo para as crianças. Em outros momentos,
não dava tanta importância aos gestos e a espontaneidade delas enquanto brincavam. Agora, tenho outro olhar e procuro estar atenta às ações delas.

Com base nos estudos e pesquisas comecei modificando também meu planejamento de aula. Tenho observado o quanto se tornou importante a minha participação nas  brincadeiras junto com as crianças, porém, mesmo iniciando o jogo propriamente dito, sinto que eles também sabem conduzir o jogo de forma prazerosa e expressiva sozinhos.

Segundo Jean Piaget, em “A formação do símbolo na criança”, “ o jogo simbólico não atinge sua forma final de imaginação criadora enquanto não é integrada ao pensamento. Saindo da assimilação, que constitui um dos aspectos da inteligência inicial. O simbolismo desenvolve inicialmente uma assimilação em uma direção egocêntrica; com o duplo progresso de uma interiorização do símbolo em direção a construção representativa e um alargamento do pensamento conceitual, a assimilação simbólica é reintegrada ao pensamento, na forma de imaginação criadora”. Isso se relaciona aos trabalhos com os alunos e aos conceitos brechtianos.

De acordo com o “Dossiê”, é pertinente quando é relatado no texto: “Outro tema que surge de forma recorrente é a do professor artista, ou seja, além de mediador esse professor desenvolve projetos com seus alunos na perspectiva da construção e experimentação de forma artística.” No decorrer deste ano, tenho aplicado os jogos teatrais aprendido nas aulas práticas da professora Ingrid com meus alunos e percebo o quanto isso tem mudado e enriquecido o conteúdo das minhas propostas e atividades.

A teoria de Bertold Brecht não visava aos atores profissionais, mas às pessoas comuns; pretendia, assim, utilizar o teatro como um instrumento de conscientização social sem ter a pretensão de realizá-lo como espetáculo.
Quando o professor e aluno atuam como atores, improvisando ações e gestos, manifestando espontaneidade e corporeidade estão incorporando diretamente esta ideia.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

ELOÍSA CARTONERA O PAPEL DA ARTE NO CONTEXTO SOCIAL E POLÍTICO

SÃO PAULO - 2010
Adriana Silva de Oliveira
Anelise Faria Costa
Cristina Maria Schiripa Gatti
Felipe Osmar Lopes
Fernando Gabriel Balcarce Klenquen
Jacqueline Kiyoko Mikaro de Oliveira
Marcelli Nascimento Martinez
Mariana Lopez Expósito Frederico
Samantha de Alcântara

Monografia apresentada no curso de especialização da disciplina Apreciação de obras de arte - Referências para mediações educativas do Centro Universitário Maria Antônia.

APRESENTAÇÃO

O objetivo desta monografia é descrever recursos para realização de uma mediação de obra de arte contemporânea. A obra selecionada é a capa do livro “Evita Vive” criada pelo movimento argentino Eloisa Cartonera. O processo de mediação seria realizado com alunos do 3º ano do ensino médio, alunos entre os 16 e 18 anos.

Projeto Eloísa Cartonera

Eloísa Cartonera é uma cooperativa cultural idealizada pelo escritor Washington Cucurto e pelo artista plástico Javier Barilaro, com um forte apelo social e comunitário, sem fins lucrativos. Fundado em março de 2003, o coletivo de artistas, escritores e catadores de papelão está sediado em Buenos Aires, mais precisamente no bairro de La Boca (anexo 1).
Na ocasião da inauguração da cooperativa, a Argentina vivia o difícil cotidiano pós-crise econômica de 2001. Muitas pessoas estavam nas ruas tentando descobrir novas formas de sobrevivência. A criação desse coletivo foi uma das formas encontrada. Surgia uma nova classe de pobreza urbana: a dos cartoneros, equivalente aos catadores de papel brasileiros.
A proposta editorial do grupo parte do pressuposto de que a cultura funciona como um mecanismo de inclusão para aqueles que, de diversas formas, foram excluídos da sociedade.
O miolo do livro é feito em uma impressora caseira na sede da editora e as capas são confeccionadas com o papelão comprado dos cartoneros.
O papelão vendido ao projeto vale cinco vezes mais que o valor usual.
No site da editora os participantes do projeto afirmam que são um grupo que se juntou para trabalhar de uma nova maneira, para aprender coisas com o trabalho, como o cooperativismo, a autogestão e o esforço para um bem comum.
A primeira obra publicada foi “Pendejo”, de Gabriela Bejerman. Atualmente a editora publica literatura de toda a América Latina. Do Brasil já publicaram os autores: Haroldo de Campos, Jorge Mautner, Antônio Miranda e Glauco Mattoso.
O projeto, conhecido e respeitado em vários países, participou da 27ª Bienal Internacional de São Paulo, reproduzindo aqui o projeto argentino. Dessa experiência nasceu Dulcineia Catadora, a cooperativa brasileira inspirada nos Cartoneros.
Eloísa Cartonera é um exemplo de que a arte pode integrar pessoas e criar meios de subsistência.
Cada atividade é artística e funcional ao mesmo tempo. A produção de livros é feita em público, o desafio é gerar trabalho genuíno baseado em vendas de livros. A venda, na mesma rua onde está situada a oficina, quase sempre resulta em ato performativo. Os livros também são vendidos em uma rede restrita de livrarias que aceitam comprar o material com antecedência. O preço deve ser mais barato para pessoas de qualquer nível econômico terem acesso à leitura e com isso o projeto se mantém.
Os colaboradores cortam e pintam o papelão em cores. Os livros selecionados são impressos ou copiados em papel. O título do volume e o nome do autor são pincelados com moldes sobre o livro.
Dos restos de papelão surgem assim não apenas livros coloridos, mas também empregos e integração. O produto final é literatura latino-americana entre uma capa e uma contracapa de papelão colorido.
As capas, assumidamente coloridas e divertidas, são pintadas à mão em todos os estilos imagináveis, tornando cada livro uma peça única.
Não há nenhuma regra de como pintar as capas dos livros. Cada um deve descobrir sua própria expressão artística.
Miriam La Osa, integrante do Eloisa ensina: “Você corta o papelão de forma que dobrado abrace o livro, faz uma máscara branca com o título e nome do autor e depois usa as tintas a seu gosto. No Eloisa, a regra é quanto mais colorida melhor”.
A pobreza e o déficit material são muitas vezes uma deliberada opção estética. Estas capas descrevem exatamente o cenário em que nasceram. São, nesse sentido, cruelmente genuínas. O "mal pintado", o "tosco" e o "artesanal" são sensações defendidas pelas escolhas de cores primárias e os acabamentos pouco cuidados.
Qualquer livro pode ser montado e pintado por qualquer pessoa, não havendo capas melhores umas que outras. No Eloísa vale tudo e isso tem qualquer coisa de libertador. O que eles fazem, e isso têm de ser valorizado, é sensibilizar-nos a todos para o potencial de prolongamento de vida que possa ter qualquer material.
Eles se percebem como pessoas que se juntam para estarem umas com as outras, para aprender umas com as outras, para ganhar a vida. Sempre é referido pelos integrantes do projeto, o prazer de produzir e pintar livros e de conhecer pessoas novas.
Além disso, oferecem para todos, imagens maravilhosas de formas pelas quais o mundo poderia funcionar. Oferecem acesso e visibilidade a um fenômeno que não pode passar omisso: a realidade destes milhares de pessoas que vivem diariamente dos detritos e subprodutos da sociedade. Oferecem um exemplo inspirador de um projeto autônomo e sustentável e que ainda materializa-se em livros tornando-os verdadeiros símbolos do poder comunitário e colaborativo.
Com tudo isto, o resultado é um fascinante e vibrante ponto de encontro entre expressões artísticas, sistemas sociais e a vida em geral.
Ricardo Piglia, reconhecido autor argentino e um dos autores publicados pelo Eloisa disse: “Não se trata de fazer um culto à pobreza, mas sim de não se deixar intimidar por ela.”

MEDIAÇÃO DA IMAGEM DE “EVITA VIVE”

A mediação desse trabalho será realizada em duas etapas.
Definimos essa abordagem ao perceber que a proposta artística do coletivo portenho Eloísa Cartonera ultrapassa os limites das capas de seus livros.
O processo de criação, essencialmente coletivo, além da escolha dos materiais, da forma de organização do grupo e da relação com os catadores de papel, tambem é a arte do Eloísa Cartonera.
Metaforicamente, a capa do livro “Evita Vive” é apenas a ponta do iceberg que é o trabalho por trás dessa criação.
Sendo assim, propomos primeiramente uma mediação do material visual da obra (a capa do livro) e uma segunda, mais voltada para o processo de criação do coletivo Eloísa Cartonera.
Dessa forma acreditamos que a leitura, a interpretação deste trabalho, que é tão vivencial e processual, ganhará em profundidade.

PRIMEIRA ETAPA

Exposição da obra


Após a exposição será realizada mediação oralmente e em grupo.

1. Descreva o que você vê. (n1 descritivo)
2. Que linguagem artística é essa? Pintura, escultura, gravura, desenho? (N2 construtivo)
3. Como são as cores? São puras, misturadas? (n2 construtivo)
4. As cores facilitam ou dificultam a leitura do que está escrito? (n2 construtivo)
5. Como são as letras da obra? (n1 descritivo)
6. Qual é o tamanho das letras? (n1 descritivo)
7. Qual o tipo das letras? (n2 construtivo)
8. O que a variedade de letras e cores pode significar? (n4 interpretativo)
9. Há alinhamento na organização das palavras? (n2 construtivo)
10. O que esse texto pode dizer? (n4 interpretativo)
11. Existe uma preocupação com perspectiva? Como os elementos gráficos estão distribuídos no espaço? (n2 construtivo e n1 descritivo)
12. Porque uma parte do texto está de ponta cabeça? (n4 interpretativo)
13. Há diferença entre a figura e o fundo? (n2 construtivo)
14. Existe diferença entre as letras? Por quê? (n1 descritivo e n4 interpretativo)
15. Que materiais são usados neste trabalho? (n2 construtivo)
16. Esses materiais são usualmente utilizados em arte? (n2 construtivo)
17. Qual é o suporte dessa obra? (n2 construtivo)
18. Em que lugar e época esse trabalho foi produzido? (n3 classificatório)
19. Que sentimentos essa obra desperta em você? (n4 interpretativo)
20. Essa obra lembra-lhe algo? (n4 interpretativo)

Após a primeira mediação, será feita a contextualização, através de:
• Veiculação de imagens sobre o processo de produção dos livros do Eloísa Cartonera;
• Exposição do professor, acerca do Eloísa Cartonera, com o auxílio do computador (aplicativo Power Point);
• Vídeo do projeto Dulcinéia Catadora, incluindo depoimentos e breve histórico, com o objetivo de mostrar o desdobramento do coletivo Eloísa Cantonera em São Paulo.

SEGUNDA ETAPA

Após a contextualização, serão propostas novas perguntas:

1. Que material serve de suporte para o trabalho do Eloísa Cartonera (n2 construtivo)
2. Por que o coletivo Eloísa Cartonera utiliza papelões para realizar as capas dos livros? (n4 interpretativo)
3. Como acontece a escolha das obras a serem encapadas pelo grupo? (n4 interpretativo)
4. De que forma um trabalho como o do Eloísa Cartonera pode modificar a visão que temos dos catadores de papel? (n4 interpretativo)
5. Como os livros encapados do coletivo Eloísa Cartonera modificaram a forma de os catadores de papel verem a si mesmos e enxergarem seu próprio trabalho? (n4 interpretativo)
6. Qual é o valor de um exemplar único de um livro do Eloísa Cartonera? (n4 interpretativo)
7. Uma iniciativa como essa é apenas artística? (n4 interpretativo)
8. A arte pode mobilizar reflexões e modificações no modo de vida das pessoas? (n4 interpretativo)
9. Houve uma mudança na forma da comunidade local se relacionar com o trabalho e presença dos catadores de papel? (n4 interpretativo)

PROPOSTA DE ATIVIDADE DE RECRIAÇÃO – NÍVEL 5 DE MEDIAÇÃO

Como o trabalho do Eloisa Cartonera é bastante ligado à sua comunidade e tem um forte caráter de inclusão social, propomos como recriação um projeto de cunho bastante social, para que os educandos possam ter uma experiência também vivencial.

1. Levantamento das questões

Em sala de aula, de forma coletiva: listar as profissões da escola e sua respectiva importância. Verificar como os jovens encaram profissões normalmente julgadas pela sociedade como de menor valor, sem dignidade.
A seguir o professor mostraria duas fotos de trabalhadores (catadores de papel) para uma leitura de imagem.

Perguntas: Quem é este homem?
O que ele faz?
Por que você acha que ele tem essa profissão?

Discutir em grupo como a nossa sociedade (e a escola) encara esses trabalhadores, essas pessoas, muitas vezes “invisíveis” aos olhos da sociedade.
Refletir sobre quem são as pessoas “invisíveis” no ambiente da escola.

2. Pesquisa de campo

Listar os trabalhadores da escola “invisíveis” em sala de aula. Em grupos, os alunos teriam que descobrir mais informações sobre esses trabalhadores.
Em grupos: levantar dados para o dossiê (criar perguntas para uma entrevista, propostas de fotografia para dar visibilidade a essas pessoas).
Entrevista:
1) Quem é você?
- Nome:
- Idade:
- Naturalidade (se não for de São Paulo, por que veio para cá?):
- Estado Civil:
- Filhos:
- Escolaridade:
2) Há quanto tempo trabalha na instituição?
3) Por que trabalha nesta instituição?
4) O que faz?
5) Por que realiza este trabalho?
6) Gosta do que faz?
7) Gostaria de realizar outro trabalho? Qual?
8) Considera seu trabalho valorizado na instituição? Por quê?
9) Conte um fato ou história interessante que aconteceu durante sua experiência aqui na escola.

3. Confecção de livros à La Cartonera

A partir dos relatos das entrevistas, os alunos criariam contos, pequenas histórias recontadas. Os contos reescritos seriam reunidos em um livro encapado com papelão.

4. Visita à Dulcinéia Catadora, com trabalho de fotografia. Do espaço e das pessoas.

5. Criação: desnaturalizar o olhar

Como lançar luzes para o trabalho desses profissionais?
Criação de uma instalação com as fotos, trechos de depoimentos ampliados e colocados em painéis, exposição dos livros e objetos do trabalho desses profissionais “invisíveis”, tornados visíveis pela recriação no espaço. Por exemplo: um uniforme customizado pelos alunos, objetos dispostos de forma inusitada no espaço, etc.
O papelão poderia ser usado para a criação dos painéis da exposição e trechos das histórias lidas pelos alunos.
Os entrevistados seriam convidados de honra da exposição.

ANEXO 1

PORQUE O COLETIVO “ELOÍSA CARTONERA” ENCONTRA-SE NO BAIRRO LA BOCA

Por ser um bairro carregado de história e uma história tão peculiar, o “Eloísa Cartonera” não poderia instalar-se noutro bairro portenho que não fosse o La Boca.
Foi o primeiro porto de Buenos Aires. Por esse motivo, desde o início, foi uma região de marinheiros, comerciantes e imigrantes. Em sua maioria italiana, predominantemente genovesa, o bairro também abrigou gregos, iugoslavos e turcos.
Os habitantes do La Boca sempre foram ruidosos, divertidos e saudosos de sua terra natal. Eram trabalhadores e fraternais: formaram várias instituições de apoio comunitário. Também fundaram jornais e clubes.
Sensíveis à arte, foram muitos os cantores, músicos, poetas e artistas plásticos boquenses que se destacaram no cenário cultural argentino.

Puente de La Boca (1946)
Benito Quinquela

O terreno era baixo e alagadiço e por isso as casas eram de madeira. As cores diversas resultaram das sobras de tinta que os marinheiros traziam para suas casas. Como a quantidade de tinta era escassa para pintar a casa toda e não havia dinheiro para comprar mais tinta, cada gota era aproveitada e assim a janela era pintada de uma cor, a porta de outra e paredes de mais outras.
O artista Benito Quinquela Martín foi o que melhor traduziu a particularidade do La Boca em sua obra, utilizando-se de cores quase puras, de camadas densas e grandes pinceladas, revelando a espontaneidade e a franqueza do popular. Seu trabalho contribuiu para a instauração definitiva do colorido como marca da personalidade do bairro.

REFERÊNCIAS DE SITES E BIBLIOGRÁFICAS

BARILARO, Javier. Facebook. Disponível em: . Acesso em 08 jun. 2010.

BÉRTHOLO, Joana. Muitos mais do que livros. Conexão Lisboa-Manaus.
03. Mar. 2010. Disponível em: < http://senhoradosoldosul.blogspot.com/2010/ 03/muito-mais-do-que-livros-o-fenomeno.html>. Acesso em 14 jun. 2010.

CATADORES of Brazil. Disponível em: < http://www.pajcafe.se/yt.php?v =W6e69Qv3_kg&feature=youtube_gdata>. Acesso em 17 jun. 2010.

ELOISA Cartonera. Buenos Aires, 2010. Disponível em: . Acesso em 06 de jun. 2010.

HÜBNER, Maria Martha. Guia para elaboração de Monografias e projetos de dissertação de mestrado e doutorado. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, Mackenzie, 2004.

KUNIN, Johana. Argentina's cardboard book publishing a novel concept.
Johana Kunin. 06 jan. 2010. Disponível em: .
Acesso em 11 jun. 2010.

LAGNADO, Lisette; PEDROSA, Adriano. (Ed.). 27ª Bienal de São Paulo: como
viver junto. São Paulo: Fundação Bienal, 2008. p.66.

LEITE, Aluízio. Literatura e reciclagem. Edusp.
Disponível em: < http://www.edusp.com.br/cadleitura/cadleitura_0907_7.asp>.
Acesso em 07 jun. 2010.

MAFALRRENTINA. Caminito – La Boca. Um pouco de Buenos Aires. 24 ago.
2007. Disponível em: . Acesso em 10
jun. 2010.

MARTINEZ, Tomás Eloy. Eloisa Cartonera: criadores diante da crise. Terra
Magazine. 14 mar. 2009.
Disponível em: < http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3634457- EI6580,00-Eloisa+Cartoneira+criadores+diante+da+crise.html>. Acesso em
13 jun. 2010.

PEREIRA, Jairo E. G. Coletores de esperança. Episódio Cultural. 06 dez.
2007. Disponível em: < http://episodiocultural.nireblog.com/post/2007/12/06/ coletores-de-esperanca>. Acesso em 05 jun. 2010.

SCHADT, Kathrin. Vanguarda em papelão multicor. Goeth-Institut. 22 set.
2008. Disponível em: < http://www.goethe.de/wis/bib/prj/hmb/the/kul/ pt6077878.htm >. Acesso em 15 jun. 2010.

SEVERINO, Joaquim A. Metodologia do trabalho científico. 20. Ed.rev.e ampl. – São Paulo: Cortez, 1996.

Sobre a ida ao teatro baseado no texto de Ingrid Dormien Koudela

Este material foi elaborado com base no texto de Ingrid Dormien Koudela "Sobre a ida ao teatro"

“Bons espetáculos de teatro são universais”, esta frase que está na introdução do texto nos mostra que não há um espetáculo destinado exclusivamente a uma ou outra faixa etária, os espetáculos podem atingir tanto adultos, quanto crianças e jovens, desde que seja poético, entendendo poético não como a arte de fazer versos, poesia, mas algo que toca, sensibiliza, com uma estética própria.
No âmbito da instituição escolar, a ida ao teatro pode e deve ser tratada como uma oportunidade de ensino e aprendizagem, lembrando que no teatro todos os esforços se somam visando à platéia, que é seu membro mais importante, porque uma obra em qualquer linguagem, só se concretiza com o espectador.
A ida ao teatro propõe um rico momento de construção de conhecimento, uma experiência sensível que cabe ao professor mediar, garantindo não só o acesso físico dos alunos, mas também o acesso aos bens simbólicos, inserindo o espectador na história da cultura, através da apreciação e leitura do espetáculo e isso implica construção de conhecimento.
Além disso, a preparação para a ida ao teatro, com informações centradas na expectativa da criança, favorece deixá-la mais relaxada e atenta ao espetáculo, assim, rodas de conversa sobre o espetáculo, como é este teatro, onde fica, o dia, os horários diferentes do dia de aula normal, lanche diferenciado, o próprio trajeto, por vezes desconhecido pelas crianças possibilita uma rica oportunidade de conhecimento ao percorrer caminhos antes nunca percorridos, apreciando o trajeto, lojas, praças, construções com arquiteturas diversas...
Sem falar da movimentação alegre (já vivi isso no ano de 2008 quando levei um grupo de alunos da 4ª série PIC ao Municipal) que emerge no grupo quando começamos organizar a ida ao teatro, que propõe uma ampliação de possibilidades ímpares, nesta ocasião que citei anteriormente, houve duas crianças que choravam por algo que não sabiam precisar, nem o que sentiam, ao me sentar ao lado delas e conversar tranquilizando-as ao relembrar as falas sobre o percurso, o que veríamos a seguir, onde estávamos, o tempo que ainda demoraríamos a chegar se acalmaram. Quanto às demais a euforia era tanta, eu posso dizer que favorece um sentimento de pertencimento, de participação em uma situação única que jamais se repetirá, eu relaciono no texto quando a autora destaca “a especificidade da experiência estética da arte, que gera um tipo particular de narrativa sobre o mundo”, experiência singular. Durante o trajeto, emergem músicas no grupo que são contagiantes.
A ampla gama de possibilidades de trabalho que a ida ao teatro favorece deve ser levada em conta, pois o contato com os elementos próprios dessa linguagem como iluminação, cenografia, sonoplastia, a representação, o próprio texto, entre outros elementos contribui para a construção de conhecimento nesta linguagem, bem como de valores estéticos.
Ao mediar informações, preparar o aluno para a visita ao teatro e propor situações para que os alunos relatem (de diversas formas) a experiência que tiveram após a volta a escola, favorece que o aluno se ocupe intensamente da relação com o evento que participou, assim como nós durante as experiências que vivemos nas oficinas com os jogos teatrais.
Durante as oficinas ficamos tão intensamente envolvidas, combinando ações (o que), personagens (quem seríamos ou representaríamos), onde se desenvolveria a cena, os gestos que faríamos, as representações das ações ao agirmos como se fôssemos alguém, ou estivéssemos em um determinado lugar, e, as leituras, as interpretações que faríamos do outro grupo, favoreceram o estabelecimento de parcerias marcantes, puderam nos aproximar uns dos outros (éramos um grupo grande e novo, não conhecíamos ninguém, nos sentíamos meio que perdidos) trouxeram a tona sentimentos e sensações adormecidas, essa sensação de fazer parte de um todo, de pertencimento, pudemos lembrar-nos de brincadeiras que pensávamos fazer parte de uma infância longínqua, um universo distante, parecia até (de tão distante) que pertencia a outra pessoa e não a nós, mas que estavam tão próximas. Era só a professora propor que todos imediatamente nos lembrávamos das regras (e a seguíamos), todos participamos ativamente, a diversão que sentimos aprendendo sobre o teatro e o prazer que vivenciamos ao brincarmos juntos, coletivamente, foi única, viver papéis, de fazer de conta que éramos “Três mocinhos que viemos da Europa“, embora podendo experimentar frustrações que são inerentes a competição, ao ganhar ou perder, o importante era a ação, sem contar nas cantigas de roda, que favoreceram as relações.
Tivemos a possibilidade de reviver e produzir cultura, fomos ao mesmo tempo atuantes e platéia, agimos no meio em que estávamos, atribuímos significados importantes às experiências que vivemos nesta linguagem.
Assim como na volta do teatro a escola, socializar as experiências a partir do que cada um viu e o que significou para cada um a experiência, como elaborou simbolicamente a partir do que a cena lhe disse, nós também socializamos por meio dos protocolos as experiências que vivemos nas oficinas, e tivemos experiências estéticas maravilhosas, como nas releituras das obras de Peter Brueghel, cada um de nós levará para sempre em suas memórias estas experiências que vivemos corporalmente.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

significados

Este texto foi elaborado para a disciplina ministrada pelo Prof Marcos Neira - O corpo do corpo docente


Minha filha de 23 anos foi a algumas apresentações da Virada Cultural no sábado à noite com o seu namorado e a irmã dele.

Ao chegar me contou o seguinte fato: estavam os três caminhando em direção a Rua Barão de Limeira, quando se depararam com um homem alto, que se dirigiu ao seu namorado com a seguinte frase:

“Oh vagabundo, você aí com duas mulheres e eu sem nenhuma, dá aí uma para mim!”

O significado que esta pessoa atribui a um homem com duas mulheres num evento deste tipo é: ou ele está de “azaração”, “ficando”, “pegando”, ou coisa que o valha com as duas, nem passa pela cabeça desta pessoa que pode haver laços de sangue entre, no caso meu genro e uma das mulheres que o acompanhava.

E mais ele é vagabundo, não sei se porque estava no evento, ou porque estava com duas mulheres, ou ainda se porque ele (meu genro), “tinha” duas e ele nenhuma.

Outro significado é que mulher é uma “coisa’, que pode se “dar”, se alguém estiver acompanhado com mais de uma e, um outro alguém, sem nenhuma, pedir ou exigir.

Meu genro ficou irritadíssimo e com raiva, porque o homem era maior que ele, ele nem respondeu, saiu andando com as duas.